Institucional
Jornada Pedagógica 2026 destaca o ofício docente e a dignidade humana no Colégio Santa Inês
Com o tema “Ofício docente e o compromisso com a dignidade humana”, o Colégio Santa Inês realizou, nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro, a Jornada Pedagógica 2026. O encontro marcou o início do ano letivo com reflexões profundas sobre o papel do educador na formação integral dos estudantes, reafirmando os valores e princípios cristãos que norteiam a história da instituição, que celebra 80 anos.
Ser professor: dom, liderança e compromisso inegociável
A abertura foi conduzida pela diretora, Irmã Celassi, que destacou que ser professor é um dom inquietante, que exige movimento constante, sabedoria para discernir e amor pelo fazer. Em sua fala, reforçou a importância da bondade, da ternura, da sintonia e da construção de uma só equipe, capaz de formar uma verdadeira comunidade de fé intercultural. A mensagem reafirmou, ainda, o compromisso do Colégio com a formação integral dos estudantes, alicerçada nas dimensões humana e espiritual, na busca permanente pela excelência de ensino e na abertura do diálogo intercultural.
Segundo a diretora, os estudantes enxergam nos educadores o desejo de ir além, e é no cotidiano, por meio de projetos de gentileza e cuidado, que se constrói comunhão. “Valores e princípios não são negociáveis no Colégio Santa Inês”, afirmou, destacando pilares como cooperação e respeito, além da potência da disciplina e da seriedade como caminhos para a emancipação intelectual, espiritual e socioemocional.
Também foi recordado o legado de Madre Teresa de Jesus Gerhardinger, fundadora da congregação, cuja missão está ancorada no desenvolvimento humano, na sustentabilidade ambiental e na unidade na diversidade.
Escola como espaço de cuidado e justiça social
O coordenador da Pastoral Educacional, Josimar Philippsen, apresentou o projeto pastoral-pedagógico “Onde o amor faz morada”, inspirado na Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia”. A proposta evidencia a escola como lugar seguro para viver, conviver e amadurecer. “Casa pressupõe cuidado”, destacou, sublinhando o Colégio Santa Inês com um ambiente acolhedor e formativo.
Na mesma linha, a abertura da Jornada contou com a ilustre participação do professor doutor Miguel Arroyo, por chamada de vídeo, que provocou os educadores com reflexões sobre a escola como espaço de cuidado e justiça social. Ele convidou os educadores a pensarem: “A minha docência é humana?”. Segundo ele, mais do que uma função, a docência é um ofício comprometido com a ética dos mais vulneráveis. Arroyo enfatizou que educar é reconhecer o outro como sujeito de direitos, considerando a pluralidade das dimensões da formação humana. “Estudantes são sujeitos de saberes, não são tábuas rasas” e os desafios incluem problematizar: “Para que valores formamos? Educação para que mundos?”.
Práticas que constroem dignidade no cotidiano
A equipe de Orientação Educacional e Psicologia Escolar (OEPsi) conduziu dinâmicas a partir de provocações como: “Ser professor é verbo vivo” e “Como aprendemos a ser humanos?”. As reflexões abordaram a noção de sujeito, as práticas cotidianas que sustentam a dignidade e o compromisso pessoal de cada educador com uma docência mais humana. A proposta incluiu técnica de mindfulness e partilhas sobre memórias escolares que marcaram positivamente a trajetória de cada professor.
Ainda no primeiro dia, a advogada trabalhista Anna Paula Romani, do escritório MFO, apresentou as atualizações nas normas regulamentadoras relativas à gestão de riscos psicossociais e à atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A palestra destacou a importância da ergonomia organizacional, que vai além do bem-estar físico, e do alinhamento às diretrizes internacionais da ISO 45003.
Conforme a professora de Língua Inglesa do Ensino Médio, Vivian Carvalho, recém-chegada à instituição, “o acolhimento vivido desde o café da manhã revelou o forte senso de pertencimento dos professores da escola. Não me senti sozinha desde que ingressei. Espero semear os mesmos valores em um ano letivo próspero e produtivo, fazendo parte dessa forte corrente”, afirmou.
Regulação emocional e escola como ecossistema de proteção
No dia 11, a consultora pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, Íris Casazza, conduziu a palestra “O que fazer com o que sinto? Regulação emocional nas experiências escolares”. Como novidade para 2026, o LIV ampliará sua atuação, apoiando estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais ao 1º ano do Ensino Médio.
Íris destacou a importância dos espaços de fala e escuta, da autorregulação e da autogestão emocional. “Não controlamos sentimentos, mas podemos escolher o que fazer com eles”, afirmou. Explicou que as escolhas acontecem em contextos individuais e coletivos, considerando fases da vida, repertório cultural e condições sociais.
Entre os pilares da inteligência socioemocional, ressaltou o autoconhecimento, a autorregulação, a empatia e o relacionamento. Também enfatizou que emoções agradáveis precisam ser reguladas e que a corregulação emocional, especialmente na infância e adolescência, é fundamental até que haja maturidade neurobiológica para a autorregulação. “A escola é um ecossistema com bordas de proteção”, destacou.
Ao longo dos três dias de Jornada Pedagógica, as equipes da Educação Infantil, do Ensino Fundamental Anos Iniciais e Finais e do Ensino Médio também vivenciaram momentos de planejamento por segmento, organização das salas de aula, dos materiais e das plataformas, preparando com intencionalidade o início do ano letivo. Entre reflexões, estudos e alinhamentos institucionais, a Jornada reafirmou seu caráter teórico-prático, unindo formação humana e organização pedagógica para que cada educador inicie 2026 com propósito, unidade e compromissos renovados com a educação inesiana.
“Queremos preparar o educando para uma vida digna e de qualidade. O nosso ensino deve educar pela solidez e exatidão, para justiça, solidariedade e transcendência”. (Carta 144 de Madre Teresa de Jesus Gerhardinger).
